Índio Tibiriçá e João Ramalho - Crônicas do Brasil Colonial

São Paulo é a maior cidade do país e da América Latina, com mais de 12 milhões de habitantes e o lema bastante convencido: "não sou conduzido, conduzo". Hoje em dia São Paulo tem tudo que achamos que uma cidade grande tem que ter: mêtros, rodovias, arranha-céus, museus, estádios, grafites, shows, operações policiais, perseguições em alta velocidade, enchentes, comunidades estrangeiras, comércio de rua... mas nem sempre foi assim.

Até o fim do século XIX não era óbvio que a cidade se tornaria uma força econômica e populacional, não era muito mais do que uma vila em uma região de difícil acesso que começava a crescer contra as expectativas.

A História de São Paulo começa no começo do século XVI, como começa a História de muitas cidades brasileiras: com o encontro entre lideranças indígenas e um português.

 

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Índio Tibiriçá

Tibiriçá foi um importante líder indígena tupiniquim dos primeiros tempos do Brasil Colonial, tendo sido aliado dos portugueses. Teve papel destacado nos eventos relacionados à fundação da vila de São Paulo, em 1554.

Foi convertido e batizado pelos jesuítas José de Anchieta e Leonardo Nunes. Seu nome de batismo cristão foi Martim Afonso, em homenagem ao fundador de São Vicente, Martim Afonso de Sousa, passando a se chamar, então, Martim Afonso Tibiriçá.

Era chefe de uma parte da nação indígena estabelecida nos campos de Piratininga, com sede na aldeia de Inhampuambuçu. Era irmão de Piquerobi e de Caiubi, índios que se destacaram durante a colonização portuguesa do Brasil: o primeiro, como inimigo dos portugueses e o segundo, como grande colaborador dos jesuítas.

Sua filha Bartira viria a casar com João Ramalho, de quem Tibiriçá era grande amigo e a pedido do qual defendeu os portugueses quando estes chegaram a São Vicente.

Em 1554, acompanhou Manuel da Nóbrega e Anchieta na obra da fundação de São Paulo e estabeleceu-se no local onde hoje se encontra o Mosteiro de São Bento, espalhando seus índios pelas imediações. A atual rua de São Bento era, por esse motivo, chamada, primitivamente, Martim Afonso (nome cristão em que fora batizado o cacique).

Graças à sua influência, os jesuítas puderam agrupar as primeiras cabanas de neófitos nas proximidades do colégio.

Tibiriçá deu, aos jesuítas, a maior prova de fidelidade a 9 de julho de 1562, quando, levantando a bandeira e uma espada de pau pintada e enfeitada de diversas cores, repeliu, com bravura, o ataque à vila de São Paulo efetuado pelos índios tupis, guaianás e carijós chefiados por seu sobrinho (filho de Piquerobi) Jaguaranho, no ataque conhecido como o Cerco de Piratininga. Durante o combate, Tibiriçá matou seu irmão Piquerobi e seu sobrinho Jaguaranho.

Tibiriçá morreu em 25 de dezembro de 1562 devido a uma peste que assolou a aldeia. Seus restos mortais encontram-se na cripta da Catedral da Sé, no centro da cidade de São Paulo.

 

João Ramalho

João Ramalho foi um aventureiro e explorador português. Viveu boa parte de sua vida entre índios tupiniquins, após chegar no Brasil em 1515. Foi, inclusive, chefe de uma aldeia, após se tornar amigo próximo do cacique Tibiriçá, importante líder indígena tupiniquim na época dos primeiros anos da colonização portuguesa no Brasil.

Vivia no povoado de Santo André da Borda do Campo, que em 1553 foi transformado em uma vila pelo governador-geral do país na época, Tomé de Sousa. Ramalho foi vereador e alcaide (prefeito) da vila.

Fundou a dinastia de mamelucos (filhos de índios com portugueses) que, no século XVII, teve lugar de destaque na empreitada comercial-militar conhecida como bandeiras, João Ramalho é chamado, inclusive, de Patriarca dos Bandeirantes.

De sua chegada no Brasil em 1515 até 1532, não há muitas informações do que aconteceu com João Ramalho. Ele encontrou índios tupiniquins (ou piratiningas), com quem passou a viver e ficou próximo do cacique Tibiriçá, um dos principais líderes dessa tribo no Planalto Paulista.

Após sua aproximação, casou-se com uma das filhas do cacique, a Bartira ("flor de árvore", em tupi), que posteriormente seria batizada sob o nome cristão de Isabel Dias. Porém, como era de costume entre os índios da tribo, casou com outras mulheres, inclusive algumas irmãs de Bartira.

Formou, assim, uma forte aliança de sangue com os índios tupiniquins, uma aliança que, nas tradições indígenas, é para toda a vida. Se tornou influente entre os índios da aldeia, podendo arregimentar 5 mil índios em um só dia.

No fim de sua vida Ramalho decidiu então abandonar o Planalto Paulista, e foi morar em uma cabana rústica no Vale do Paraíba. Já adoecido, João Ramalho chamou então, em 3 de maio de 1580, o tabelião Lourenço Vaz, e ditou para ele seu testamento onde ele também fez o relato de sua vida, mas esse testamento se perdeu ao longo do tempo.

Faleceu então dois anos depois, em 1582, em local desconhecido.

 

Nas imagens abaixo: João Ramalho e Índio Tibiriçá, os retratos são posteriores, portanto, são baseados em relatos.

 

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